A Subordinação Adverbial em Libras: uma abordagem tipológico-funcional

Nos trabalhos que versam sobre gramaticalização, a noção de polissemia está associada, sobretudo, a unidades lexicais: palavras. No entanto, nesta tese, a noção de polissemia está associada a unidade maiores do que a palavra: as sentenças complexas. Assim, com o objetivo de fundamentar análises prag...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Crescêncio Neto, Juarez Domingos [UNESP]
Tipo de documento: tese
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2025
País:Brasil
Recursos:Universidade Estadual Paulista (UNESP)
Repositório:Repositório Institucional da UNESP
Idioma:português
OAI Identifier:oai:repositorio.unesp.br:11449/314041
Acesso em linha:https://hdl.handle.net/11449/314041
https://orcid.org/0000-0002-8008-734X
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Polissemia gramatical
Libras
Subordinação Adverbial
Expressões não-manuais
Grammatical polysemy
Adverbial subordination
Non-manual expressions
Descrição
Resumo:Nos trabalhos que versam sobre gramaticalização, a noção de polissemia está associada, sobretudo, a unidades lexicais: palavras. No entanto, nesta tese, a noção de polissemia está associada a unidade maiores do que a palavra: as sentenças complexas. Assim, com o objetivo de fundamentar análises pragmática, semântica e sintática, este trabalho, amparado nos princípios do funcionalismo linguístico (Kortmann, 1996; Heine; Claudi; Hünnemeyer, 1991; Traugott; Konig, 1991; Lima-Hernandes, 1996, 2004), apresentamos uma análise e descrição de ocorrências de orações de tempo com leitura polissêmicas para os valores de causa, de condição e de concessão (CCC). Nessa perspectiva, temos o intuito de investigar as estratégias gramaticais, por meio das quais o indivíduo surdo lança mão para expressar relações temporais com inferência de CCC. Em primeiro lugar, fazemos uma busca ativa por ocorrências de orações de tempo no Corpus de Libras da UFSC (QUADROS, 2014), em específico, o componente Surdos de Referência, composto por surdos representantes, conhecedores profundos da língua e manifestações culturais, sociais e políticas da Comunidade Surda. Após a coleta de dados, esmiuçamos as camadas de informações visuais de cada ocorrência, buscando determinar padrões de expressões não manuais que estão associadas às orações temporais com leitura polissêmica, como a posição da sobrancelha, do queixo e da direção dos olhos, quantificando a sua incidência. Discutimos, então, como se pode atestar que determinadas relações temporais, identificadas em nossa coleta de dados, podem favorecer leituras polissêmicas. Os resultados permitem-nos verificar: (i) que a posição da sobrancelha arqueada favorece leitura exclusiva de tempo; (ii) enquanto que a posição da sobrancelha franzida está associada as leituras polissêmicas de causa, condição e de concessão, podendo haver variações; (iii) as orações polissêmicas concessivas estão associadas também a expressão não manual da boca em posição de ferradura, algo presente tanto na anteposição quanto na posposição; (iv) as leituras polissêmicas se dão em decorrência de inferências pragmáticas.