A arte da infelicidade: A Pianista, de Elfriede Jelinek, entre tradição e mass-media

Este artigo tem como propósito a contextualização do romance A Pianista, de Elfriede Jelinek, no âmbito de uma tradição literária austríaca caracterizada pela visão crítica da sociedade e de seus conflitos, da qual fizeram parte grandes expoentes das letras deste país no período entre-guerras. Se no...

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Detalhes bibliográficos
Autor: Krausz, Luis S.
Tipo de documento: artigo
Estado:Versão publicada
Data de publicação:2011
País:Brasil
Recursos:Universidade de São Paulo (USP)
Repositório:Pandaemonium Germanicum (Online)
Idioma:português
OAI Identifier:oai:revistas.usp.br:article/38101
Acesso em linha:https://revistas.usp.br/pg/article/view/38101
Access Level:Acceso aberto
Palavra-chave:Österreichische Literatur
Elfriede Jelinek
Franz Kafka
Doppelmonarchie
Austrian Literature
Habsburg Empire
Literatura austríaca
Império Habsburgo
Descrição
Resumo:Este artigo tem como propósito a contextualização do romance A Pianista, de Elfriede Jelinek, no âmbito de uma tradição literária austríaca caracterizada pela visão crítica da sociedade e de seus conflitos, da qual fizeram parte grandes expoentes das letras deste país no período entre-guerras. Se no pós-guerra o establishment literário austríaco empenhou-se pelo estabelecimento de um consenso social por meio da difusão de uma ideologia harmonística, que visava reinstaurar elementos da sociedade habsburga na 2ª. República, o ressurgimento de uma literatura de rebeldia e estranhamento na Áustria da década de 1980 pode ser compreendido como uma reação a este projeto de restauração de um ideário anacrônico. Neste sentido, a confrontação, em A Pianista, entre Erika Kohut, sua mãe e Walter Klemmer pode ser uma representação metafórica de conflitos próprios de uma sociedade dividida entre o apego às glórias de uma tradição cultural que se deseja preservar e o assédio permanente de uma mass-media globalizada e estruturada sobre parâmetros que estão em oposição diametral a esta tradição. Ao mesmo tempo, busca-se contextualizar as visões de mundo e formas de comportamento representadas no romance no âmbito da chamada Österreich Ideologie, onde surgem como princípios de convívio social herdados da ideologia habsburga, e que permanecem como substratos parcialmente anacrônicos e parcialmente ilusórios na cultura austríaca dos anos 1980.