Amizade e amor: afetividade e relações interpessoais em Aelredo de Rievaulx, na Anglia no século XII.

Durante o século XII, Aelredo de Rievaulx (1110-1167), um abade cisterciense do norte da Anglia, dedicou-se extensivamente à escrita sobre a vida emocional. Ele concentrou sua obra nos temas da amicitia (amizade) e do amor, considerando-os como pilares de uma antropologia que destacava as relações i...

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Detalles Bibliográficos
Autor: Moura Filho, Raimundo Carvalho
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2024
País:Brasil
Institución:Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
Repositorio:Repositório Institucional da UFRRJ
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:rima.ufrrj.br:20.500.14407/23242
Acceso en línea:https://rima.ufrrj.br/jspui/handle/20.500.14407/23242
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:História
Aereldo de Rievaulx
afeto
amor
amizade
pedagogia afetiva
Aelred of Rievaulx
affection
love
Friendship
affective pedagogy
Descripción
Sumario:Durante o século XII, Aelredo de Rievaulx (1110-1167), um abade cisterciense do norte da Anglia, dedicou-se extensivamente à escrita sobre a vida emocional. Ele concentrou sua obra nos temas da amicitia (amizade) e do amor, considerando-os como pilares de uma antropologia que destacava as relações interpessoais e a conexão com o sagrado como fundamentais para o desenvolvimento humano. Seu interesse por esse tema o levou a abordar a questão da educação monástica, uma dimensão vital para o processo de socialização e formação monástica, e que, como identificamos, constituía a essência de seus principais tratados. Qual é o papel da afetividade na concepção e projeção de relacionamentos interpessoais saudáveis, essenciais para a construção, no momento presente, de uma comunidade de fé (ecclesia) unida pelos laços da amizade, combinada à preocupação por uma relação construída com um absoluto transcendente? Em seus tratados Espelho da Caridade (EC) e Amizade Espiritual (AE), obras centrais sobre amor e amizade escritas nas décadas de 1140 e 1160, respectivamente, Aelredo explora a afetividade, representada pelo affectus, definido como um movimento espontâneo e agradável da própria mente em direção a outro. Aelredo realiza, assim, uma pedagogia que pode ser descrita como espiritualmente afetiva, ao recorrer à máxima joanina “Deus é amor”, invertendo-a para “Deus é amizade”. Seu objetivo não era apenas demonstrar que os afetos podem ser (re)orientados no processo educativo, mas também enfatizar sua importância vital para os seres humanos, as únicas criaturas capazes de alcançar a felicidade e progredir espiritualmente com o apoio do outro (AE, I: 69, p. 50; EC, III: 31, p. 250). O interesse na natureza humana e nos relacionamentos interpessoais com o sagrado revela que tanto o amor quanto a amizade, enquanto vínculos humanos, possuíam uma dimensão social. A escolha de priorizar os afetos como parte central da teoria sobre as relações interpessoais e com o sagrado revela a valorização dos cistercienses pelo cultivo das amizades, promovendo-as no contexto social do meio monástico. Esse ambiente proporcionou a instrumentalização da vida em comunidade. Por meio de exemplos pessoais e narrativas bíblicas, foram empregados instrumentos para esse propósito, visando ensinar que a vida afetiva, permeada pelos princípios da amizade e do amor, poderia representar realidades propícias para a aprendizagem e a expressão individual.