Fraseamento prosódico como biomarcador de insuficiência respiratória

Esta pesquisa tem como objetivo o estudo do fraseamento prosódico como biomarcador de insuficiência respiratória em casos de Covid-19. Nesta pesquisa consideramos o sintagma entoacional como o dominio prosódico do fraseamento. O estudo compara dois grupos de falantes: o Grupo Controle (GC), formado...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Ferreira, Leticia Santiago
Tipo de recurso: tesis de maestría
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade de São Paulo (USP)
Repositorio:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:teses.usp.br:tde-22102025-113202
Acceso en línea:https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-22102025-113202/
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Biomarcadores
Biomarkers
Brazilian portuguese
Fonologia
Fraseamento prosódico
Phonology
Português brasileiro
Prosódia
Prosodic phrasing
Prosody
Descripción
Sumario:Esta pesquisa tem como objetivo o estudo do fraseamento prosódico como biomarcador de insuficiência respiratória em casos de Covid-19. Nesta pesquisa consideramos o sintagma entoacional como o dominio prosódico do fraseamento. O estudo compara dois grupos de falantes: o Grupo Controle (GC), formado por voluntários sem insuficiência respiratória, e o Grupo de Pacientes (GP), composto por indivíduos diagnosticados com insuficiência respiratória decorrente da Covid-19. O corpus é constituído por 94 gravações do GC e 81 do GP, todas derivadas da leitura de um enunciado pré-estabelecido. As análises foram conduzidas no software Praat (Boersma & Weenink, 2023), com base na teoria da Fonologia Prosódica (Selkirk, 1984, 1986, 2000; Nespor & Vogel, 1986, 2007) e da Fonologia Entoacional (Pierrehumbert, 1980; Ladd, 1996, 2008). Nossas hipóteses foram que (i) os padrões de fraseamento prosódico diferem entre os dois grupos de falantes; (ii) os sintagmas entoacionais (I) não seguem as regras de boa formação e reestruturação descritas na literatura (Nespor & Vogel, 2007 [1986]; Frota, 2000; Tenani, 2002) no grupo de pacientes; e (iii) as pausas, entendidas como pistas prosódicas de fraseamento, ocorrem com maior frequência e duração na fala do GP, possivelmente em função de demandas respiratórias (Cagliari, 1992). Observou se que a maioria das produções do GP apresentaram quebras em posições não previstas, indicando violações às regras de formação e reestruturação de I e sugerindo influência da insuficiência respiratória na organização prosódica. Entre as produções do GP que seguiram padrões esperados, destacou-se a estrutura [S]I[VO]I[Adv]I, na qual a sentença alvo é fraseada com o máximo de quebras previstas, permitindo mais pausas para respiração. No GC, em contraste, 78,7% das sentenças seguiram padrões esperados, com destaque para o padrão [SVOAdv]I, na qual a sentença alvo é reestruturada em um único I, associado a uma taxa de elocução mais rápida e um estilo de fala mais coloquial. Quanto às pausas, o GP exibiu média de 3,16 pausas por sentença com duração média de 0,53 segundos, contrastando com o GC, que apresentou 0,85 pausas e duração média de 0,13 segundos (Ferreira, 2022). Além disso, enquanto o GC tende a inserir quebras em fronteiras previstas de I, o GP frequentemente insere pausas em locais não previstos pela gramática do PB. Apesar das diferenças no fraseamento e nas pausas, ambos os grupos mantiveram contornos nucleares finais descendentes (H+L* L%), típicos de enunciados declarativos neutros do PB. Os contornos não finais também apresentaram padrão semelhante entre os grupos, com predominância de contornos ascendentes (L*+H H% ou L+H* H%), embora o GP tenha mostrado maior variação. Esses achados reforçam a hipótese de que a insuficiência respiratória afeta significativamente o fraseamento prosódico, especialmente no que se refere à reestruturação de sintagmas entoacioanis e ao comportamento das pausas, podendo o fraseamento prosódico consistir em um possível biomarcador de insuficiência respiratória nos dados de fala de pacientes de Covid-19 analisados