Efeito placebo e exercício físico: o papel da expectativa sobre a magnitude das respostas centrais, periféricas e de desempenho físico

Objetivos: O objetivo geral desta tese foi analisar o papel da expectativa na magnitude do efeito placebo sobre o desempenho e respostas centrais e periféricas. Para tanto, foram conduzidos quatro estudos para: 1) quantificar o tamanho do efeito placebo reportado sobre o desempenho motor, assim como...

Descripción completa

Detalles Bibliográficos
Autor: Barreto, Cayque Brietzke [UNIFESP]
Tipo de recurso: tesis doctoral
Estado:Versión publicada
Fecha de publicación:2025
País:Brasil
Institución:Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Repositorio:Repositório Institucional da UNIFESP
Idioma:portugués
OAI Identifier:oai:repositorio.unifesp.br:11600/74139
Acceso en línea:https://hdl.handle.net/11600/74139
Access Level:acceso abierto
Palabra clave:Desempenho motor
Expectativa
Mecanismo
Cafeína
Efeito placebo
Motor performance
Expectancy
Mechanism
Caffeine
Placebo effect
3. Saúde e bem-estar
Descripción
Sumario:Objetivos: O objetivo geral desta tese foi analisar o papel da expectativa na magnitude do efeito placebo sobre o desempenho e respostas centrais e periféricas. Para tanto, foram conduzidos quatro estudos para: 1) quantificar o tamanho do efeito placebo reportado sobre o desempenho motor, assim como a qualidade metodológica de revisões sistemática e metanálises (RSMA); 2) identificar, na literatura multidisciplinar, possíveis mecanismos associados ao efeito placebo ergogênico; 3) investigar a magnitude do efeito placebo gerado por diferentes delineamentos experimentais (com ou sem manipulação de expectativa) sobre respostas centrais, periféricas e desempenho motor; 4) realizar a adaptação transcultural da Stanford Expectancy Treatment Scale (SETS). Métodos: O estudo 1 realizou uma revisão guarda-chuva de RSMA acerca do efeito placebo utilizando instrumentos como o PRISMA, PERsIST e AMSTAR. O estudo 2 identificou os possíveis mecanismos do paradigma do efeito placebo. O estudo 3 foi uma investigação experimental (15 ♂ e 15 ♀) conduzida em 8 visitas: 2 visitas de familiarização, 1 visita controle (sem tratamento), 4 visitas experimentais divididas em 2 balanceamentos (ensaio clínico randomizado vs placebo percebido) e uma visita com cafeína (controle positivo). Medidas derivadas de eletroestimulação (reflexo H, onda V e onda M), eletromiografia (EMG) e potencial cortical relacionado ao movimento (PCRM) foram obtidas antes, durante e/ou após contração voluntária máxima (CVM), contrações submáximas (~60% da CVM) e teste de tempo limite (80% da CVM) em exercício de flexão plantar. O estudo 4 traduziu a SETS em 5 etapas; I) tradução, II) síntese das traduções, III) tradução da síntese para o idioma original, IV) avaliação dos itens da escala por um comitê de experts, e V) versão final da escala. Resultados: O estudo 1 encontrou efeito placebo de pequeno à grande. Dentre as 9 revisões elegíveis (5.036 participantes), todas apresentaram problemas no delineamento e apenas duas conduziram a avaliação GRADE. O estudo 2 sugeriu que o efeito placebo é uma facilitação do comando motor resultante da ativação do circuito de recompensa e de regiões motoras de planejamento e execução. O Estudo 3 encontrou uma melhora do desempenho motor em maior magnitude quando os participantes perceberam placebo como cafeína. No geral, mulheres apresentaram maiores efeitos ergogênicos junto a um maior PCRM de prontidão no córtex motor primário e drive motor (razão V/M). Os menores efeitos ergogênicos em homens acompanharam um maior PCRM de movimento e excitabilidade no pool de motoneurênios (reflexo H). Efeitos ergogênicos nulos e maior variabilidade das medidas de desfecho foram observados quando a expectativa em ingerir cafeína não foi controlada. O estudo 4 revelou que a escala SETS preservou satisfatoriamente suas propriedades quando traduzida para a língua portuguesa. Conclusão: Os resultados evidenciam que a magnitude e variabilidade do efeito placebo sobre o desempenho e sistema motor são influenciados pela expectativa em ingerir cafeína. Dada a necessidade de controle ou avaliação da expectativa dos participantes de pesquisa, recomenda-se o uso da escala SETS em estudos de intervenção ergogênica. Estudos de RSMA e mecanicistas bem controlados são necessários para melhor quantificar a magnitude do efeito placebo e seus mecanismos.